20 de setembro de 2008

Quando se trabalha em uma empresa multinacional a coisa mais comum é ter que interagir com pessoas de outros países. E como o meu departamento trabalha diretamente com clientes das Américas estamos sempre em contato com pessoas da Argentina, México, Estados Unidos... ou seja, fala-se inglês e espanhol com frequência por lá. Quer dizer, em alguns casos arranha-se um inglês e fala-se um portunhol tosco, porque poucos ali realmente conhecem qualquer um dos idiomas -- ou os dois. Isso inclui um dos degerentes do departamento.

Um dia desses tivemos uma reunião que envolvia algumas pessoas da nossa equipe local e pessoas da Argentina. O degerente em questão fala um inglês medonho e um portunhol mais medonho ainda. Pra começar a reunião, que contava com a participação de pessoas por telefone, o degerente me solta a pergunta quien está inhél teléfonu? (sim, essa foi exatamente a forma como ele fez a pergunta!) A partir daí o degerente começou a proferir uma série de palavras bizarras, como la idéia, diez, otchu e por aí vai.

Mas o melhor ainda estava por vir: ele me encerra a reunião dizendo lo que hablamos acá queda acá por encuanto. Eu não conheço espanhol tão bem assim mas acho que essa frase está meio errada. Aliás tenho quase certeza de que acá não existe. Mas tudo bem, pelo menos ele não disse lo que hablamos acá muerre acá como eu esperava que ele dissesse.

Sinceramente, se eu ouvisse um gringo falando português do jeito que ele "fala" espanhol eu ia achar que o gringo estava se divertindo às minhas custas. Ou eu ia ficar com constrangimento alheio, da mesma forma que eu fico toda vez que o degerente precisa exercitar seu inglês ou portunhol precários. Eu não sei falar espanhol... mas eu nem me atrevo a arriscar um portunhol para não correr o risco de soltar pérolas como as que esse degerente solta -- ou de deixar os nativos de língua espanhola revoltados com a minha total incapacidade misturada à minha cara de pau de falar desse jeito.

O pior de tudo é que ele não se preocupa nem um pouco em se aperfeiçoar. Aliás, uma vez eu ouvi alguém dizer que gerente é tudo burro; pensando nesse tipo de situação, em que um degerente não se preocupa nem em aprender decentemente a falar um idioma que é pré-requisito para ele estar em uma empresa, pode-se pensar que a afirmativa é bem verdadeira.

(Não estou citando nomes ou pseudônimos para não comprometer ninguém -- e, óbvio, para não colocar meu emprego em risco também. Nunca se sabe!)

Um comentário:

Rafael Kuvasney Marcolin disse...

Ok amigo, seu blog é muito interessante, mas acho que você precisa ficar mais atento às oporrrrtunidades. Fóquius in yórrr worrrk. Vamos ishquedularr uma choppada pra conversarrr.
abç
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